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Sesc AM promove a 20ª Edição do Sonora Brasil
Por Frederico Braga , Sistema Fecomércio, Sesc e Senac AM
sábado, 3 de junho de 2017
 
 
 

Sesc AM promove a 20ª Edição do Sonora Brasil
Sonora Brasil Sesc. / Divulgação.

Projeto traz a Manaus sonoridades da região Nordeste do Brasil

No período de 5 a 8 de deste mês, às 19h, no Centro de Artes da Ufam (Caua), o Sesc AM promove a edição 2017 do Sonora Brasil. Com entrada gratuita, os espetáculos, neste ano, abordam o tema ‘Na pisada dos cocos’ e trazem a Manaus dois grupos que praticam cocos do litoral e dois do interior. Coco de roda, samba de coco, coco de zambê, coco de pareia, coco furado, coco de embolada…são muitas as variantes que justificam a denominação “cocos”, sempre no plural. ‘Na pisada dos cocos’ apresenta variações dessa expressão lítero-cênico-musical típica da região Nordeste do Brasil.

Com essa temática o Sonora Brasil Sesc visa reproduzir a prática coletiva encontrada em áreas urbanas e na zona rural, onde a dança e a música, integradas, estão presentes nos terreiros, nas festas populares e em ritos religiosos. Cantadores e dançadores são acompanhados ora por instrumentos de percussão ora por palmas ou pela batida dos pés que marcam o andamento, simulando a pisada que prepara o chão batido.

Confira, abaixo, a programação completa do evento:

Dia 5 – às 19h

Samba de Pareia da Mussuca

O Povoado de Mussuca fica no município de Laranjeiras, a 23 Km de Aracaju, capital do estado de Sergipe. É uma comunidade de remanescentes quilombolas que se empenha para manter as tradições herdadas de seus antepassados, como a Dança de São Gonçalo e o Samba de Pareia. A pesca e a cata de crustáceos, como o caranguejo e o sururu, são atividades econômicas tradicionais que envolvem muitas famílias, e se desdobram numa culinária atraente que contribui para o desenvolvimento da economia local.

O samba não se caracteriza como um folguedo, mas apresenta dança coreografada e trajes padronizados. As letras das músicas fazem alusão a situações do dia-a-dia, normalmente com muita irreverência.

O grupo é liderado por uma mestra, Dona Nadir, o que é raro nos grupos de tradição, onde as funções de liderança normalmente cabem aos homens, e conta também com a participação de Mangueira (Acrisio dos Santos), Carmélia dos Santos, Elenilde da Silva, Maria Edenia dos Santos, Maria Ednilde dos Santos, Cecé (Maria José dos Santos), Maria Lucia Santos, Maria Luiza dos Santos, Maria José dos Santos e Normália dos Santos.

Dia 6 – às 19h

Coco de Tebei

O Coco de Tebei é cantado por mulheres e dançado por casais. Não utiliza instrumentos e a base rítmica é marcada pela pisada dos dançadores. A sonoridade que resulta do canto somado ao ritmo da pisada nos remete, de certa forma, a uma ritualística indígena, que se caracteriza pelo contraste de timbre entre o metal das vozes femininas e o som seco da pisada no chão, e pela ausência de nuances em cada um dos elementos. Também faz parte da memória do grupo a cantoria do rojão, associado ao uso da enxada na preparação da terra para o plantio.

Dia 7 – às 19h

Coco de Zambê

É principalmente no município de Tibau do Sul, litoral do Rio Grande do Norte, que encontramos o Coco de Zambê, expressão cultural que, segundo pesquisadores, chegou aos engenhos de cana de açúcar e colônias pesqueiras da região através de africanos escravizados.

Dois tambores estão presentes na maioria dos grupos que praticam o Coco de Zambê: o próprio Zambê, também conhecido como pau furado ou oco de pau, que é maior e mais grave, e o Chama, ambos construídos artesanalmente com troncos de árvores da região. Além desses tambores outros instrumentos de percussão podem ser encontrados, inclusive a lata, usada no grupo do Mestre Geraldo que, na verdade, é o reaproveitamento da lata de 18 litros, utilizada no comércio de tintas.

A música se caracteriza como um canto responsorial, puxado pelo mestre e respondido pelo coro de vozes, e a dança acontece numa roda que mantém ao centro os tocadores. Os brincantes se revezam reverenciando o tambor e realizando passos livres de grande energia que lembram movimentos da capoeira e do frevo. Uma de suas principais características é o fato de ser praticado apenas por homens.

Dia 8 – às 19h

Coco do Iguape

Aquiraz fica a 30 Km de Fortaleza, no litoral cearense, e a Praia do Iguape, localizada neste município, que foi a primeira capital do estado do Ceará, é onde moram os integrantes do grupo. Eles praticam a pesca artesanal, principal atividade econômica da região, e são liderados pelos mestres Raimundo da Costa, que desde os dez anos de idade, como ele mesmo conta, pratica o coco de embolada e Chico Caçuêra.

Segundo pesquisadores, o Coco do Iguape tem uma característica peculiar que é o andamento mais acelerado e uma dança mais “pulada”. Como outros cocos do litoral, o grupo se apresenta descalço, como os pescadores costumam andar. A vestimenta é feita artesanalmente com o mesmo tecido usado nas velas das jangadas e tingida com a tinta retirada da casca do cajueiro azedo, árvore encontrada na região.

Os instrumentos utilizados pelo grupo são o caixão (espécie de Cajon), que é feito de madeira em forma de caixa, permitindo que o tocador fique sentado sobre o instrumento, e o ganzá, espécie de chocalho feito com latas reutilizadas, ambos fabricados pelos próprios integrantes. O triângulo, pouco encontrado em grupos de coco, foi inserido a partir de influências externas.

Sonora Brasil

Desde a primeira edição, em 1998, o Sonora Brasil já contou com a participação de cerca de 90 grupos em mais de 6.000 apresentações por todo o país. A cada biênio, dois temas são desenvolvidos, buscando aprofundar a relação do público com aspectos relevantes da música no país.

O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. Através do projeto, o Sesc busca estimular a formação de plateia por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música. Todas as apresentações são essencialmente acústicas, valorizando a qualidade sonora das obras e de seus intérpretes. 

 

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