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Silvia Pfeifer, Priscila Fantin e Olivia Torres no Teatro Amazonas
Por Viviane Oliveira,
sexta-feira, 29 de junho de 2018
 
 
 

Silvia Pfeifer, Priscila Fantin e Olivia Torres no Teatro Amazonas
Além do que os nossos olhos registram. / Divulgação.

“Três mulheres, três gerações e seus conflitos. Em comum, fora os laços sanguíneos, existe o amor que une avô, mãe e neta.”

“Racismo e homofobia, uma combinação letal.”
“Qualquer tipo de preconceito é como um vício incurável,
a reabilitação precisa ser diária e continua.”
“O que acontece quando o maior preconceito está dentro da própria casa?”


O Teatro Amazonas será palco da peça teatral “Além do que os nossos olhos registram”, sucesso de público por onde a turnê está passando. As atrizes Silvia Pfeifer, Priscila Fantin e Olívia Torres se apresentarão nos dias 07 e 08 de julho, em sessões no sábado, às 21h e domingo, às 19h. Os bilhetes já podem ser adquiridos na bilheteria do teatro, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro, 659 – Centro.

“Além do que os nossos olhos registram” fala sobre a convivência de três gerações de mulheres, apoiando e enlouquecendo umas às outras. Estreou nacionalmente, no dia 28 de outubro, em Porto Alegre. No elenco, estão as atrizes Silvia Pfeifer, Priscila Fantin e Olívia Torres. O texto é de Fernando Duarte, autor de “Callas” e “Depois do Amor”, ambos dirigidos pela saudosa Marília Pêra, com direção artista de Fernando Philbert, que assinou a direção de aclamados espetáculos, tais como “O topo da montanha”, com Lázaro Ramos e Thais Araújo, “O Escândalo de Felippe Dussack”, com Marcos Caruso, entre outros.

O espetáculo fala sobre a convivência de três gerações de mulheres, apoiando e enlouquecendo umas às outras. A personagem Delfina (Silvia Pfeifer) é uma mulher que sempre teve a cabeça livre de preconceitos. Uma mulher agitada e independente possui uma rotina dinâmica e cheia de afazeres - alguns mais típicos outros mais peculiares. Uma avó moderna e articulada. Ela se identifica com os marginalizados e, desde jovem, luta pelos direitos das “minorias”.

Já Priscila Fantin interpreta Violeta, uma mulher elegante, divertida e ardilosa. Seu lema de vida é: “Mantenha as aparências e impressione sempre”. Vive um casamento de fachada que lhe proporciona uma vida confortável. Ela foi sugada pelo mundo do marido, e possui uma maneira prática e decidida, às vezes, cínica de resolver os problemas e não raro é ela quem vai sobrepor a Delfina e a Sofia em termos de sensatez e amadurecimento.

Já Olivia Torres é Sofia, que tem uma relação conflituosa com os pais, e encontra na avó o apoio não encontrado na relação com a mãe. Seu olhar para o mundo feminino instalado à sua volta é aguçado e provocador. Ela vive às turras com a mãe, mas o novo cotidiano intensifica seus laços com a avó.


Ao mostrar essa complicada relação entre mãe, filha e avó o espetáculo consegue expor, de maneira emocional, as agruras e alegrias do universo feminino.  Não interessa que você, mulher, não tenha muitas amigas, nem more em uma grande metrópole, mas você já deu boas gargalhadas com as amigas falando sobre assuntos corriqueiros, sobre sua vida sexual, já se sentiu insegura em um relacionamento, já falou sobre o tamanho dos membros masculinos, já contou suas experiências sexuais, já tentou viver novas experiências, já sonhou com um príncipe encantado, já gastou mais do que podia em um sapato ou um vestido dos sonhos.

Não é fácil para nenhuma das protagonistas, mas a peça apresenta soluções interessantes que poderiam ser aplicadas no dia a dia de qualquer um.

SOBRE O TEXTO – pelo autor Fernando Duarte

Em 2015, estive em Brasília com o espetáculo “Callas”, outro texto de minha autoria. Na ocasião, reencontrei uma antiga colega de escola - morei em Brasília dos dez aos quinze anos e estudei em um colégio público a L2 Norte. Conversamos bastante e ela me contou sobre a complicada relação com a mãe. Com dezessete anos, foi expulsa de casa por conta da orientação sexual. A mãe, muito religiosa, cortou relações com a filha. Foram oito anos assim, elas só voltaram a se falar quando a mãe ficou gravemente doente, acabou falecendo em decorrência de um câncer.

Resolvi escrever sobre a fragilidade das relações humanas, as relações familiares, e também, sobre esses preconceitos que andam assombrando a vida de tanta gente. Conversei com muitas mães, muitas filhas, avós... muitas histórias e, dois anos depois, temos aqui um texto que fala sobre amor, desamor, preconceitos. Uma peça para refletir.

Foram vinte entrevistas, com mulheres de diferentes classes sociais. Me toca fundo a luta das mulheres tentando se firmar em um mundo ainda regido pelo machismo, a luta para tentar proteger seus filhos. A cobrança que elas sofrem todos os dias. Na peça, são três protagonistas com personalidades diferentes, mas, com muito em comum. As três tem suas razões e expõem suas opiniões. Como estão em casa, em família, elas tiram as máscaras e falam o que sentem sem rodeios.

É um olhar masculino sobre o universo feminino.  Lembro-me de alguns relatos marcantes de algumas mães e filhas.

Muitas mães ficam perdidas quando não conseguem controlar suas filhas e, então, apelam, falando dos sacrifícios que fizeram por elas a vida toda. A filha se culpa e a relação vira um misto de amor e ódio. Lembro também das expectativas não correspondidas. Mãe ansiosa e perfeccionista gerando filha igualmente ansiosa e perfeccionista. A filha não consegue aceitar os próprios erros e não aprende a lidar com frustrações.

Algumas frases marcantes:
“Um amor e uma cabana, nem em novela mexicana”
“Pena não ter tido filho homem, amam mais as mães e dão menos trabalho”
“Você vai me matar, depois não adianta ficar chorando no pé do caixão”.
“O seu pai que é ótimo, perfeito, eu sou a megera”
“Uma mãe nunca desiste do seu filho”
“Demorou para me libertar da culpa. Toda relação afetiva oscila entre amor e ódio. Não fico mais culpada por sentir coisas ruins”
“Adolescentes são tão misteriosas”
“Alguém sabe o que aconteceu com a Cinderela depois do casamento? Duvido que tenha vivido naquele mar de rosas”.
“Fico pensando que todos esses nossos problemas, eles são tão pequenos diante da possibilidade da morte. Por isso, eu vivo redimensionando todos os meus problemas, mas a gente não precisa estar doente para ter noção de prioridade. Não é verdade? ”.



ESTREIA NACIONAL EM PORTO ALEGRE

Em 28 de outubro o espetáculo fez sua estreia no Theatro São Pedro em Porto Alegre – RS, uma das mais antigas e respeitadas salas de espetáculos do Brasil. Foram dois dias de exibição da peça com mais de 1200 espectadores.




FICHA TÉCNICA
Texto: Fernando Duarte
Direção: Fernando Philbert
Assistente de direção: Rodrigo França
Elenco: Silvia Pfeifer, Priscila Fantin e Olivia Torres
Iluminação: Vilmar Olos
Cenário: Natália Lana
Visagismo: Walter Lobato
Fotos: Lucio Luna
Coordenador de projeto: Fernando Duarte
Dir. de produção: Fabricio Chianello
Realização: Ymbu Entretenimento LTDA
Produção em Manaus: Oca Produções
Assessoria de imprensa em Manaus: Viviane Oliveira


SERVIÇO
O que: “Além do que os nossos olhos registram”
Quando: 07 e 08 de julho, em sessões no sábado, às 21h e domingo, às 19h.
Onde: Teatro Amazonas (Av. Eduardo Ribeiro, 659  - Centro)
Valores: R$ 100 (inteira) R$ 50 (meia)

Vendas: Bilheteria do Teatro e Alô Ingressos

Mais informações: (92) 3232 1768

 

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