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Leitura vira aliada de pais para combater o brain rot nas férias
Especialistas reforçam a importância de criar hábitos desde a infância para manter crianças e adolescentes longe das telas e ter um melhor desenvolvimento cognitivo Por Paula Cabrera, terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Férias escolares costumam resultar em mais tempo nas telas e, para muitas famílias, isso vem acompanhado de um alerta crescente sobre o risco do chamado brain rot. O termo ganhou força em 2024 e descreve o desgaste cognitivo associado ao consumo excessivo de conteúdos digitais rápidos, repetitivos e pouco estimulantes. A jovem escritora Malu Lira, de 15 anos, é um exemplo de como a leitura pode transformar trajetórias. Com mais de 20 livros publicados, ela lançou seu primeiro título aos 12 anos e decidiu ampliar o impacto de suas histórias com o lançamento do programa Me Conta Uma História, presente atualmente em diversas escolas do país. A iniciativa, idealizada e lançada por Malu por meio de sua empresa, incentiva a leitura desde a educação infantil e trabalha autonomia, imaginação e construção de valores em crianças pequenas. Para Malu, os livros não competem com o mundo digital. Eles ajudam a dar significado ao futuro. O programa de Malu é atualmente um dos grandes exemplos usados entre educadores para combater a queda na leitura entre os brasileiros. Pesquisas recentes mostram que 53% dos brasileiros não leram nenhum livro nos três meses anteriores ao levantamento, representando a primeira vez em que a maioria se declara não leitora. Desde 2019, o país perdeu cerca de 7 milhões de leitores e cresceu o número de pessoas que iniciam livros, mas não concluem as obras. Entre os principais motivos apontados estão a falta de tempo, o desinteresse e a preferência por conteúdos digitais. Há diferenças importantes no perfil de quem ainda mantém o hábito. As mulheres leem mais do que os homens e a região Sul concentra a maior porcentagem de leitores, enquanto Norte, Sudeste e Nordeste registraram queda. Psicanalista e CEO do Grupo Altis, Ana Lisboa alerta que a leitura exerce um papel decisivo no desenvolvimento cognitivo e emocional desde a infância. O hábito estimula raciocínio lógico, fortalece memória e concentração, amplia criatividade e contribui para pensamento crítico e empatia, além de atuar como fator de proteção contra o declínio cognitivo ao longo da vida. “Quando a criança se acostuma apenas a conteúdos rápidos e fragmentados, o cérebro aprende a funcionar no modo da urgência. A leitura faz o caminho inverso. Ela ensina o cérebro a sustentar atenção, a elaborar emoções e a tolerar o tempo do pensamento. Ler é um treino emocional e cognitivo que prepara a criança para a vida, não apenas para a escola”, afirma. Segundo Ana, o chamado brain rot reduz a tolerância ao tédio, encurta a capacidade de foco e estimula a busca constante por recompensas imediatas. “Enquanto as telas aceleram, o livro devolve profundidade, presença e organização interna”, completa. Para as férias, os especialistas sugerem estratégias para equilibrar a rotina. Reservar entre 15 e 30 minutos diários para leitura, combinar tempo de tela com tempo de livro, levar livros em viagens e momentos de espera e criar cantinhos de leitura longe de distrações ajudam a tornar o hábito mais natural. Eles reforçam que iniciativas de mediação na infância são decisivas para formar leitores ao longo da vida. O gosto por ler não surge sozinho. Ele é cultivado. Para Malu, o sucesso de seu programa é uma das confirmações que as crianças seguem interessadas em ler, mas isso deve ser um hábito construído com as famílias e escolas. “Leu é fundamental para fortalecer o pensamento, nutrir a imaginação e construir autonomia emocional. Em um mundo acelerado, a leitura continua sendo um dos caminhos mais consistentes para formar atenção, repertório e horizonte de possibilidades. Os livros lembram ao cérebro algo essencial. O conhecimento precisa de tempo para florescer”, conclui Malu.
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