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Mesada na adolescência molda a relação com o dinheiro na vida adulta
Com autonomia de como investir, jovens aprendem a fazer escolhas certas ao receber valor mensal Por , Paula Cabrera quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
O ensino médio marca o início de uma nova fase de autonomia. Adolescentes passam a circular sozinhos em alguns ambientes, ampliam a vida social e, com isso, começam a lidar diretamente com o dinheiro, seja por meio de mesadas, trabalhos informais ou pequenas rendas. Para muitos pais, o dilema entre controlar ou confiar é imediato. Para escolas, a questão é estrutural e passa diretamente pela necessidade de preparar esses jovens para decisões que já estão tomando fora da sala de aula. A adolescência é a fase em que decisões financeiras deixam de ser hipotéticas e começam a ter consequências reais. Comprar um lanche mais caro, parcelar um tênis novo, ir para o cinema e voltar para a casa de carro de aplicativo, coisas que podem fazer com que os jovens gastem toda a mesada ou primeiro salário na primeira semana, ou guardar para um objetivo maior, são escolhas que moldam não apenas hábitos de consumo, mas também senso de responsabilidade, planejamento e autoestima. Para muitos pais e responsáveis, aumentar a mesada ou permitir que os filhos administrem o próprio dinheiro gera ansiedade. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê a educação financeira como tema transversal, conectando matemática, ciências humanas e projetos de vida. Na prática, porém, o conteúdo ainda aparece de forma fragmentada, muitas vezes distante da realidade cotidiana dos estudantes. A autora adolescente Malu Lira, que tem mais de 20 titulos de educação financeira publicados, defende que a adolescência é o momento-chave para transformar teoria em experiência concreta. “Quando o jovem começa a administrar o próprio dinheiro, ele passa a sentir o impacto das suas escolhas. Planejamento, consumo consciente e prioridade deixam de ser conceitos falados pelos adultos ao seu redor e passam a fazer parte da vida real com consequências bem reais para o bolso dos adolescentes”, afirma ela que aos 15 anos passa exatamente por esse processo. Nos livros, Malu utiliza narrativas investigativas para apresentar dilemas financeiros de forma lúdica, aproximando o conteúdo do cotidiano escolar. Personagens enfrentam os mistérios sobre o dinheiro que assombram tantos brasileiros por aí: orçamentos limitados, aumentos de preços, decisões impulsivas, o efeito arrebatador dos juros (para o bem ou para o mal) e consequências de escolhas mal planejadas, um espelho da vida fora da escola em formato de ficção. “Os contos ensinam com a ferramenta mais poderosa de todas que são as histórias, que exploram a curiosidade e trazem erros comuns neste mundo do dinheiro para trazer identificação e permitir que o estudante reflita sem julgamento. Ele observa o erro do personagem, entende as consequências e transfere essa lógica para si”, explica. Segundo a autora, integrar educação financeira ao currículo não é apenas ensinar a fazer contas, mas desenvolver pensamento crítico e autonomia. “A escola tem a oportunidade de transformar o dinheiro em ferramenta pedagógica para falar de ética, responsabilidade, consumo e futuro”, diz. À medida que os adolescentes ganham liberdade social, o dinheiro deixa de ser apenas recurso e se torna símbolo de independência. A questão não é se eles vão errar, mas se estarão preparados para entender os próprios erros. “Autonomia sem educação não forma adultos conscientes, forma compradores sem destino”, conclui.
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