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Aos 69 anos, Maria do Rosário quer aprender a chamar Uber e fazer videochamadas sozinha
Ela integra nova turma do “Defensor Digital 60+”, que reúne 40 pessoas idosas para aprender sobre tecnologia, IA e segurança na internet Por Aline Ferreira, Defensoria Pública do Estado do Amazonas sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Aprender a solicitar uma corrida de aplicativo e fazer chamadas de vídeo são alguns dos objetivos de Maria do Rosário, de 69 anos, que participou, nesta quarta-feira (19), da primeira aula da nova turma do curso “Defensor Digital 60+”. A iniciativa é uma realização da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) em parceria com a Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade (FUnATI). Ao todo, 40 pessoas idosas estiveram presentes na aula inaugural, que trouxe temas como o etarismo, o medo de experimentar novas tecnologias e a importância de estar informado em uma sociedade cada vez mais digital. A atividade aconteceu na sede da FUnATI, na avenida Brasil, nº 11.430, zona oeste de Manaus, com coordenação do Núcleo de Atendimento, Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa (Nuappi). Para dona Maria do Rosário, a vontade de aprender a usar o aplicativo de transporte ganhou força depois de uma situação de violência que viveu enquanto caminhava sozinha. Desde então, a idosa passou a evitar sair com o celular e chegou a carregar apenas uma cópia do documento. Foi então que as filhas recomendaram a ferramenta como uma possibilidade de ela se deslocar com mais segurança e independência.
“Eu tenho vontade de pegar o Uber. Eu nunca me interessei, mas as minhas filhas já me indicaram a usar, porque recentemente eu fui pega de surpresa por um ladrão, pois estava andando sozinha. Aí as minhas filhas disseram que eu preciso aprender, que é fácil”, contou. “Como eu gosto de conversar com a minha cunhada, que mora em Fortaleza, eu quero fazer aquela chamada de vídeo com ela. A aula foi ótima! Eu estou amando, porque vou aprender um monte de coisa nova”, comentou, entusiasmada.
Alcance da proteção no ambiente digital Foi justamente a partir do aprendizado adquirido no curso que Franklin de Souza, de 66 anos, conseguiu reconhecer uma situação de risco no ambiente digital. Ex-aluno da turma do primeiro semestre de 2026, Franklin retornou nesta manhã para compartilhar o que conseguiu botar em prática a partir das aulas. Ele comentou que quase caiu em um golpe virtual, mas lembrou das orientações recebidas e decidiu fazer uso da Inteligência Artificial (IA) para verificar as informações antes de acreditar na mensagem. “É muito importante que a gente se sinta mais seguro. Por exemplo, eu ia cair nesse golpe, já tinha caído. Aí eu me lembrei do curso e pensei que não era bem assim. Tudo que tem na internet, a gente tem que desconfiar, tudo, absolutamente tudo”, relatou. O defensor público e coordenador do Nuappi, Marcelo Pinheiro, pontuou que a proposta da formação vai além de ensinar sobre o ambiente virtual; o curso é para que a pessoa idosa garanta a sua autonomia. “Um dos pontos mais importantes do curso do ‘Defensor Digital 60+’ é justamente levar esse ensinamento sobre as novas tecnologias para que a pessoa idosa possa manuseá-las de forma efetiva nas próprias vidas. Também queremos que elas não apenas saibam usar em benefício próprio, mas que também possam, a partir do seu próprio empoderamento, levar para as comunidades em que residem e ajudar outras pessoas idosas a manusear essas tecnologias”, explicou o defensor. Como um retrato positivo da parceria de longa data entre as instituições, o reitor da FUnATI, Euler Ribeiro, destacou a importância da união para ampliar a segurança do público 60+ diante das constantes mudanças tecnológicas. “A parceria entre FUnATI e Defensoria é uma coisa muito significativa para a sociedade. A FUnATI está de braços abertos para a Defensoria, para a gente continuar. Nós já estamos na terceira turma do ‘Defensor Digital 60+’, preparando essas pessoas para que elas possam aprender a se defender usando a nova tecnologia”, ressaltou.
Sobre Defensor Digital 60+ O curso tem 60 horas de duração, divididas em 14 aulas realizadas às quartas-feiras, das 8h às 11h, com o encerramento da nova turma previsto para dezembro. A programação reúne conteúdos sobre linguagem digital, acessibilidade, segurança na internet, prevenção de golpes, desinformação, IA e uso consciente das ferramentas digitais.
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