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De Boa Vista para Manaus: história real de mulher que ajudou a prender o assassino do pai 25 anos depois vira romance policial
Luciana de Gnone lança Voz de Prisão na capital amazonense, em 19 de setembro, em bate-papo com Gislayne de Deus, mulher cuja história inspirou o livro, e Myriam Scotti Por Andréa Drummond, DEDICATA COMUNICA segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Uma história real que ganhou repercussão nacional a partir de Boa Vista chega agora a Manaus pelas mãos da escritora e roteirista Luciana de Gnone. No dia 19 de setembro, às 18h, a autora lança, no Centro Cultural Casarão de Ideias, na capital amazonense, Voz de Prisão. O livro é um romance policial inspirado na trajetória de Gislayne de Deus, escrivã da Polícia Civil de Roraima que, 25 anos depois do assassinato do pai, participou da operação que levou à prisão o homem condenado pelo crime. No lançamento, Luciana e Gislayne participam de um bate-papo sobre o livro, a transformação de uma história real em ficção e temas como justiça tardia, memória, violência e protagonismo feminino. A conversa terá mediação da advogada, escritora e crítica literária Myriam Scotti. Após o bate-papo, haverá sessão de autógrafos. “Estou muito feliz por mediar esse encontro e ansiosa por uma conversa que atravesse não apenas o processo de escrita do livro, mas sobretudo esse território tão instigante em que fatos reais se entrelaçam à invenção e se transformam em ficção”, conta Myriam. O livro também terá sua história levada para o audiovisual, com roteiro assinado pela própria autora. O projeto de adaptação está em desenvolvimento pela Intro Pictures, com Carol Castro como produtora associada e intérprete da protagonista. Gislayne tinha nove anos quando o pai foi assassinado, em Boa Vista, em 1999. O suspeito foi preso em flagrante, solto dias depois e condenado 14 anos mais tarde. Porém, permaneceu foragido desde 2016, quando finalmente foi expedido o mandado de prisão. Já adulta, formada em Direito e integrante da Polícia Civil de Roraima, ela participou da operação que levou à prisão do homem em 2024 — 25 anos depois do crime. A história, contada em uma matéria de jornal, chamou a atenção de Luciana, que decidiu transformá-la em literatura. Para escrever o romance, Luciana esteve em Boa Vista, onde conheceu Gislayne, percorreu locais relacionados ao caso, conversou com pessoas envolvidas na história e teve acesso a documentos como o inquérito policial, depoimentos e registros do julgamento. A partir desse trabalho de campo, a autora transformou a história real em uma narrativa ficcional que investiga não apenas o crime, mas também os efeitos da violência, a espera por justiça e as falhas do sistema. A passagem da história real para a ficção é um dos principais pontos de interesse de Voz de Prisão. Em vez de reproduzir literalmente a trajetória de Gislayne, Luciana constrói uma personagem ficcional inspirada nessa experiência e utiliza o romance policial para discutir memória, justiça tardia, violência e o protagonismo feminino em espaços de poder. É justamente sobre essa passagem da realidade para a ficção que Luciana de Gnone, Gislayne de Deus e Myriam Scotti conversarão durante o lançamento em Manaus. A chegada a Manaus amplia o percurso de uma história que nasceu em Boa Vista e ganhou projeção nacional. A própria história de Gislayne já havia alcançado o público da região por meio da cobertura da Rede Amazônica. “Está sendo muito especial levar Voz de Prisão aos leitores amazonenses. É uma história potente, que fala de justiça, memória e, sobretudo, da perseverança de uma mulher que passou grande parte da vida esperando por uma resposta. Quero muito que essa trajetória alcance novos leitores e provoque conversas que vão além das páginas do livro”, afirma Luciana de Gnone. A autora, que tem sua trajetória marcada por romances policiais protagonizados por mulheres, chega à cidade para conversar com leitores sobre os limites entre realidade e ficção e sobre o que acontece quando uma história de crime passa a ser reconstruída pela literatura. “Quando soube que a minha história poderia inspirar um livro, senti uma mistura de emoção e responsabilidade. Foram muitos anos convivendo com a ausência do meu pai e com a espera por respostas. Ver essa história ganhar uma nova linguagem, pela literatura, é também uma oportunidade de mostrar que, por trás de um caso policial, existem pessoas, sentimentos e histórias que permanecem. Espero que Voz de Prisão possa levar essa reflexão aos leitores e mostrar, sobretudo, que a busca por justiça também pode transformar a dor em força e propósito”, declarou Gislayne de Deus.
LANÇAMENTO – VOZ DE PRISÃO A autora Luciana de Gnone e Gislayne de Deus, cuja trajetória inspirou o romance, participam de um bate-papo sobre Voz de Prisão, com mediação de Myriam Scott
19 de setembro de 2026
Sobre a autora Recebeu Menção Honrosa da Academia de Letras e Música do Brasil e foi semifinalista do 7º Prêmio ABERST de Literatura, em 2024. Luciana também produz a newsletter #Evidenciando e administra o perfil @elasinvestigam no Instagram, dedicado a fãs de entretenimento policial protagonizado por mulheres.
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